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CICLOFAIXA EM SP É UM PROJETO DE LAZER ÓTIMO COM CONDIÇÕES DE TRABALHO RUINS PARA OS MONITORES

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A  iniciativa de termos aos domingos e feriados cerca de sessenta e sete quilômetros de ciclofaixa em diversas ruas e avenidas da cidade numa cidade onde existe uma enorme carência de lazer, é louvável. Tenho podido andar bastante de bicicleta com condições de segurança muito boas. Seria muito melhor para a qualidade de vida de todos os paulistanos  se este projeto não fosse só de lazer e sim, um projeto de mobilidade. Principalmente numa cidade que precisa repensar completamente esta questão. Assim, evitaríamos mortes de ciclistas que acabam acontecendo de forma desnecessária, por falta de ação do poder público.

Mas, do ponto de vista pedagógico, os cem mil ciclistas que a cada dia passeiam pela cidade através da ciclofaixa, já estão sensibilizados  para defender o poder público em criar muito mais ciclovias(vide pesquisa Nossa SP – Ibope 2012 sobre a mobilidade, apresentada na Câmara Municipal- www.nossasp.org.br).

Porém, esta ideia ótima tem um problema grave, um calcanhar de Aquiles: os quinhentos monitores que ficam sinalizando e educando os ciclistas. As condições de trabalho são péssimas. Ficam nove horas em pé (das sete da manhã até às dezesseis horas), são proibidos de sentar, são autorizados a ir ao banheiro duas ou, no máximo,  três vezes, sem horário de almoço e embaixo de sol ou chuva. Recebem pão, fruta e água para lanchar sem parar o trabalho. Nestes dias secos e ensolarados de São Paulo cerca de 30% ainda tem um guarda sol (nas grandes esquinas principalmente). Ou precisam ter sorte e cair num ponto sob uma árvore ou uma ponte. Recebiam R$ 120,00 de diária e hoje o honorário diminuiu para R$100,00 pela jorna da ininterrupta. Dizem que foi feita uma pesquisa e que a empresa justificou dizendo que estava “pagando muito antes”. Em termos trabalhistas  um retrocesso. Eles, ainda, na grande maioria cumprem com simpatia a sua função de orientação.

Vejamos: temos 67 kms de ciclofaixa nos quais a empresa patrocinadora tem a prerrogativa de fazer sua propaganda em tempos de “cidade limpa”( um benefício e tanto!), durante nove horas ininterruptas por grandes avenidas em várias regiões da cidade. Se temos 500 monitores que recebem R$100,00, os gastos com pessoal são de R$ 50 mil por dia. Muito mais barato do que fazer uma propaganda de segundos no rádio ou televisão. Além da admiração que a empresa que patrocina desperta nos ciclistas.

Por que estas condições tão ruins aos monitores? Os monitores não têm registro, nem vínculo de trabalho, fazem o chamado “bico” uma ou duas vezes por semana. Até esta parte, sem problemas, desde que o mínimo de condições sejam respeitadas. Mas, até quando faremos grandes ações públicas, dignas de mundo desenvolvido e precisaremos manter esta “mania” mesquinha subdesenvolvida em deixar em segundo plano os seres humanos que fazem o sucesso da iniciativa. Uma questão histórica no Brasil, herdada da escravidão, que mais uma vez se repete.

Muitas questões ficam sem resposta: não é possível dar 30 minutos para descanso e almoço? Não se consegue contratar mais monitores para cumprir uma carga de trabalho de forma digna, com direitos básicos respeitados? Principalmente, se o valor pago já diminuiu? Por acaso, dentro da empresa que patrocina a ciclofaixa, as condições que oferecem aos seus funcionários são estas: sem horário de almoço e descanso numa jornada de 9 horas? A prefeitura de São Paulo que terceirizou a ação está de acordo? A prefeitura não fiscaliza? Os funcionários públicos municipais trabalham nestas mesmas condições precárias?

O Brasil é um país rico, sexta economia do mundo, com empresas fortes e estamos na maior cidade da América Latina, quinto orçamento do Brasil (perdemos somente para a União e os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e temos uma cidade em que a sua sociedade civil cada vez mais cumpre seu papel de controle social do Estado e das ações públicas. Papel necessário e fundamental.

Portanto, podemos humanizar o trabalho dos monitores?

*Diretor da Escola de Governo de São Paulo 
 

Comentários   

 
Valdinei Barreto de
+1 # Valdinei Barreto de 26-12-2012 21:21
Olá. Sou um ciclista, frequentador de algumas ciclofaixas, uma delas na zona norte e neste feriado numa manhã ensolarada e quente percebi que muitos dos monitores não tinham a disposição os guardas-sol. Segundo uma dos monitores,os que estavam disponíveis nesta ciclofaixa foram transferidos para a ciclofaixa da Paulista. Realmente há um descaso com esses trabalhadores. E se continuar desse jeito haverá uma redução desses monitores nas ciclofaixas.
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