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Escola de Governo / Biblioteca / Poder, Costumes e Mentalidades

Poder, Costumes e Mentalidades

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I - Poder

Definição: Uma relação jurídica entre pessoas, pela qual uma tem o direito de mandar e a outra o dever de obedecer.

  • Distingue-se da dominação, na qual a obediência não é uma relação jurídica: ou seja, quem domina não tem o direito de mandar e quem é dominado não tem o dever de obedecer. Exs.: ocupação militar de um território estrangeiro; dominação econômica de uma empresa no mercado.

  • O poder, ao contrário da dominação, costuma se desdobrar em uma escala hierárquica (A tem poder sobre B, que tem poder sobre C, e assim por diante). Em política, o poder supremo se denomina soberania.

  • Distingue-se igualmente da autoridade moral, que é o prestígio de uma pessoa, ou de uma instituição, suscitando a confiança de todos. Não se trata, portanto, de uma relação jurídica.

  • A interrelação entre poder, dominação e autoridade.

Função do poder: dar coesão ao organismo social e dirigi-lo para um rumo prefixado.

  • O governante como piloto (kubernetes > gubernator > governador)

O poder como energia a ser controlada

  • A sede somática do impulso de dominação é a zona límbica, a mais primitiva do cérebro, onde se situa também o impulso de violência.

  • O desejo de chegar ao poder e de exercê-lo costuma transformar-se em verdadeira paixão.

  • Eis por que o poder sem controle degenera em força bruta ou abusiva.

  • Na vida política, não basta formar eticamente os governantes para que eles não abusem do poder. É indispensável criar sistemas objetivos de controle, exteriores ao detentor do poder.

A legitimidade do poder

  • Legítimo é o poder considerado justo e necessário. Mas o sentimento de justiça evolui historicamente.

  • Legitimidade não se confunde com a mera legalidade.

  • A legitimidade diz respeito não só ao sistema de poder (ditatorial, oligárquico ou democrático, por ex.), como também à pessoa ou às pessoas que estão no poder. Neste último caso, pode haver ilegitimidade, quer quanto ao acesso à posição de poder (golpe de Estado, p. ex.), quer quanto ao modo de exercício do poder.

  • No mundo antigo, justo era o poder conforme às tradições e aos mandamentos religiosos.

  • No mundo moderno, enfraquecidas as tradições e a fé religiosa, criou-se um duplo critério de legitimidade do poder: 1) legitimidade pelo consenso popular; 2) legitimidade pelo respeito ao princípio ético fundamental da dignidade transcendente da pessoa humana.

  • Hoje, há um consenso geral de que o poder político deve obedecer aos princípios da república, da democracia e do controle permanente (Estado de Direito).


II - Costumes e Mentalidades

Costumes são modos de vida geralmente observados, de forma irrefletida, como se fossem automatismos sociais.

  • Exemplos no Brasil: 1) o nepotismo e o clientelismo no exercício de cargos públicos; 2) o desrespeito pelos bens públicos.

Mentalidade é uma visão de mundo, fundada em preferências valorativas, opiniões ou mesmo preconceitos.

  • Podemos falar em mentalidades retrógradas, conservadoras e avançadas.

  • Há mentalidades de classe, de grupos étnicos ou regionais, de gênero e de categorias profissionais.

Costumes e mentalidades são introjetados na mente das pessoas, influindo, em geral de modo inconsciente, sobre o seu comportamento.

Costumes e mentalidades mudam mais lentamente do que as instituições políticas. Há, assim, em geral, instituições modernas, convivendo com costumes e mentalidades do passado.


III - A Interrelação do Poder com os Costumes e as Mentalidades

O poder não deve contrariar frontalmente os costumes e a mentalidade dominante, sob pena de desaparecer.

Mas o poder não deve compactuar com costumes e mentalidades claramente imorais.

Se se quiser mudar os costumes e a mentalidade dominante, importa, pois, proceder com prudência, combinando medidas repressivas com programas de educação cívica do povo.

Fevereiro de 2010

 

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