Busquei uma palavra para resumir o que tivemos a oportunidade de vivenciar este ano. Sugiro: inquietação. Este vocábulo foi utilizado inúmeras vezes por nós alunos do Curso de Formação de Governantes da Escola de Governo de 2010.
A palavra se tornou frequente diante de todo o conteúdo programático minuciosamente planejado para compreendermos o Brasil do passado (e toda sua crueldade), o Brasil do presente (e toda sua desigualdade) e o do futuro. Futuro este que se revelou tão incerto e lacunoso e, ao mesmo tempo, repleto de esperança. Como fazer a esperança prevalecer?
A rigor, sequer existiria uma Escola de Governo não houvesse expectativa de que algumas importantes transformações sociais pudessem vir a ocorrer por meio de nossas mãos. E vale destacar, como nos foi exposto em meados de fevereiro, que ao contrário do que a expressão possa indicar, a Escola de fato não pretende formar técnicos em “como ser um deputado” ou “prefeito”.
Depois de meses tão intensos, temos a certeza de que estamos diante de ensinamentos que estão muito, além disso, não que não possamos nos candidatar um dia, mas fato é que devemos cumprir o compromisso assumido de atuar como educadores políticos a cada dia. Educador em seu sentido mais amplo. Político em seu sentido mais puro.
Tais afirmações nos remetem diretamente ao artigo 3º da Constituição Brasileira de 1988.
Art. 3.º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Como fazer tudo isso? Somos levados à reflexão e, em consequência, somos levados à ação planejada e conjunta. Temos muitos caminhos, opções e, sobretudo, problemas muito sérios para extirpar da sociedade, que, em geral, está sofrendo, e não podemos ser omissos. Começar pode ser mais fácil do que imaginamos, pode ser em nossas casas, em nossos bairros, só não devemos temer as exigências que esta opção nos fará e nem o tempo que será necessário para que os resultados positivos sejam notórios.
Continuemos em busca da felicidade, considerada em seus aspectos subjetivo e objetivo, recordando que no sentido objetivo nos referimos, conforme ensinado pelo Professor Fábio Konder Comparato, à vida digna aperfeiçoada de geração em geração.
Meus queridos colegas, acredito que podemos dizer, por ocasião desta solenidade de formatura, que é uma satisfação afirmar que fizemos e somos parte da história da Escola de Governo. Integramos a história dela e ela integra a nossa. Que isso não fique apenas no passado ou neste segundo do presente. Façamos dela e de todo o conhecimento que ela construiu para e conosco momentos de nosso futuro.
Que Deus nos abençoe. São Paulo, 07 de dezembro de 2010. Aline da Silva Freitas.






