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A CIVILIZAÇÃO CAPITALISTA

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I
Os Valores

Individualismo radical
Cada qual deve procurar agir, visando à realização de seu próprio interesse, sem se preocupar minimamente com o bem comum. O capitalismo é, portanto, essencialmente anti-republicano.

A riqueza individual é, em si mesma, um valor a ser preservado
As pessoas não são absolutamente iguais entre si, pois os ricos são socialmente mais importantes que os pobres. A sociedade política deve organizar-se como uma sociedade mercantil: quem tem maior participação no capital exerce poder maior.
O capitalismo é, portanto, essencialmente antidemocrático.

A finalidade do Estado é de garantir a cada indivíduo as condições para seu próprio enriquecimento
O Estado não deve, por conseguinte, envolver-se em nenhuma atividade econômica. A partir dos anos 80 do séc. XX, iniciou-se, por pressão do capitalismo internacional, um movimento de privatização de todas as empresas estatais.

A sociedade prospera pela competição, não pela colaboração, entre os profissionais de todos os setores
A competição aguça as qualidades de cada profissional, ao passo que a perspectiva de colaboração os torna passivos.

II
O Poder Capitalista

Um poder de fato, não de direito
O poder capitalista nasceu fora do Direito, e fundou-se, desde o início, na posse da riqueza privada.
A seguir, foi aos poucos sendo regulado: direito do trabalho, direito do consumidor, proteção contra o abuso de poder nos mercados, proteção do meio ambiente.
A partir dos anos 80 do séc. XX, teve início o movimento de globalização capitalista, que preconizou a desregulamentação estatal de todas as atividades econômicas. Ele gerou a crise mundial de 2008.

Um poder privado, que se superpõe aos Poderes Públicos
Nos Estados capitalistas, o poder dos órgãos públicos é de mera aparência. O poder efetivo encontra-se em mãos do empresariado.

Um poder que tende à concentração e à expansão geográfica sem limites
Como na empresa capitalista capital é poder e não simples bens materiais, ela prospera no mercado com o aumento constante do capital.
Ora, essa concentração contínua do poder de controle empresarial, ligado à posse do capital, exige a ampliação constante do âmbito territorial de atuação da empresa. Daí a rápida expansão dos mercados no curso da história moderna: do mercado local ao regional, deste ao nacional, ao internacional e ao mundial.

Um poder que combina a propaganda ideológica à violência
O poder capitalista procura seduzir o público consumidor, inoculando na mentalidade coletiva os valores do individualismo e da busca permanente de enriquecimento.
Para tanto, desde o início do séc. XX, o capitalismo procurou apropriar-se dos meios de comunicação social: imprensa, cinema, rádio e televisão.
Mas isso não exclui o uso permanente da violência bélica, não só para reprimir rebeliões internas, mas também para expandir a dominação imperialista no plano internacional.
Um poder camaleônico
• O capitalismo sempre defendeu em teoria as liberdades individuais e se aliou, na prática, com as ditaduras e regimes autoritários.
• De acordo com as regras da propaganda comercial, o capitalismo se apresenta como os produtos e serviços que oferece no mercado: ele exibe todas as suas pretensas qualidades e oculta todos os seus defeitos.

III
Resultados da Dominação Capitalista Mundial


Uma desigualdade sem precedentes na história da humanidade
Em meados do século XVIII, a renda média per capita era praticamente igual nas regiões atualmente desenvolvidas e nas subdesenvolvidas. Em 1860, a relação já era de 324 para 174, em favor das atuais regiões desenvolvidas. Um século depois, a quinta parte mais rica da população mundial dispunha de uma renda média 30 vezes superior à dos 20% mais pobres. Em 1997, essa proporção havia mais do que dobrado – 74 para 1 –, e nos primeiros anos do atual século ela passou a ser de 80 para 1.
A recessão mundial de 2008/2009 veio demonstrar o risco representado pelo capitalismo financeiro para toda a humanidade. Calculou-se em 11.400 trilhões de dólares o total dos recursos financeiros transferidos pelos Bancos Centrais do mundo todo às instituições financeiras insolventes: o que representa 1.676 dólares por ser humano.
Março de 2011
Leitura complementar: Traços Fundamentais do Capitalismo, no site da Escola.

 

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