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OS GRANDES FATORES DE FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA

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Sua Interdependência

A – O grande domínio rural autárquico
• Na tradição do senhorio medieval, em que o grande proprietário rural dominava todos os que habitavam em seu domínio.
• O Poder Público submetido ao interesse privado
– A deformação do instituto das sesmarias.
– A Lei de Terras de 1850 (concomitante à abolição do tráfico negreiro): consolidação do condomínio privado sobre terras públicas; impedimento do acesso das classes pobres à propriedade rural.
• Concentração absoluta de todo poder na pessoa do proprietário.

B – A autocracia governamental
• Herança da monarquia portuguesa, que nunca foi limitada pelos poderes dos senhores feudais.
• No período colonial, o poder político oficial concentrava-se, sem controles, na pessoa dos representantes da metrópole: o capitão-mór, o governador geral, o vice-rei e a burocracia ofi-cial. Mas todos eles compunham-se, sob o as-pecto econômico e familiar, com a classe dos grandes senhores rurais.
• Algo de semelhante durante o Império, com o poder oficial concentrado na pessoa do imperador e dos dirigentes governamentais (ministério, presidentes de província), acolitados pela burocracia oficial. Mas esse poder oficial acasalava-se com o poder sócio-econômico dos grandes senhores rurais e dos comerciantes de maior cabedal: essas duas classes formaram, quase que exclusivamente, o grupo dos detentores do título de barão.
• Na República, teve início uma lenta separação de Poderes no plano estatal, e um tímido controle popular da ação governamental, permanecendo, porém, incontestada a hegemonia dos chefes do Executivo sobre os demais Poderes.
• A corrupção em todas as esferas governamen-tais tornou-se um costume consolidado.
• Em suma, o povo nunca existiu como agente político.

C – A escravidão indígena e africana
• Os índios e os negros sempre foram considera-dos raças inferiores, destinadas a servir os brancos, como escravos ou como objetos de prazer sexual. Mas os mamelucos eram mais apreciados dos que os mulatos, pois eles serviram como emissários dos bandeirantes na ocupação do território e na escravização dos índios.
• A Igreja defendeu os índios contra a escravidão, mas não os negros. A escravidão indígena cessou em meados do século XVIII.
• A escravidão moldou grande parte da mentali-dade e dos costumes brasileiros, como:
o O desprezo pelo trabalho físico e pelas o-cupações mecânicas, em contraste com o prestígio das profissões liberais (a “doutorice”).
o O preconceito racial.
o A subserviência diante dos patrões e das autoridades em geral.
o O desrespeito aos bens públicos.
o A ausência de um espírito de poupança.
o Inexistência do hábito de busca da perfei-ção em qualquer trabalho, material ou intelectual.

D – O prestígio da riqueza
• Preconceito contra os pobres.
• Os ricos sempre formaram a nossa verdadeira aristocracia, pois a riqueza tem sido considerada como prova de mérito ou capacidade pessoal. Os ricos sempre influenciaram decisivamente o funcionamento do sistema político representativo.
• Tendência à aceitação sem críticas do capitalismo.

E – A influência do catolicismo romano aqui or-ganizado
• A instituição do padroado real: a criação de bispados e a nomeação de bispos, em todo o reino de Portugal, dependia da autorização do rei, que legislava em matéria religiosa e se re-servava o direito de autorizar a aplicação das bulas papais. Ou seja, a Igreja era o braço espiritual da monarquia. Essa instituição permaneceu em vigor no Brasil, durante todo o Império.
• O respeito incondicional e não crítico pela or-dem estabelecida na sociedade, tanto no campo político, quanto no campo social e econômico.
• Religiosidade intimista e emotiva, não ritual.
• Oficialmente encarregada da educação de crianças e jovens até a República, a Igreja Católica desenvolveu um método de ensino memorizante e dogmático, preocupando-se, antes de tudo, com a educação da classe superior.
Abril de 2011.
Bibliografia:
• Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil, Companhia das Letras.
• Caio Prado Jr., Formação do Brasil Contemporâneo, Editora Brasiliense.
• Darcy Ribeiro, O Povo Brasileiro, Companhia das Letras.

 

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