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A CONFECOM aprovou desde Código de Ética para jornalistas até impostos para financiamento de emissoras públicas

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O Brasil caminha para a regulamentação da comunicação objetivando a democracia da mídia e a criação de políticas públicas para o segmento.
 
Finalmente o Brasil começou a discutir a política das Comunicações Sociais no país. No último dia da Confecom em Brasília, 17 de dezembro, várias propostas foram aprovadas e mostraram que avançamos muito em direção à democracia na mídia. Uma das poucas maneiras de acompanhar o que acontecia era pelo twitter do site Direito à Comunicação, projeto do Intervozes, e também pela EBC, a TV pública do governo federal. A mídia de mercado, ainda monopolista, ou ignorou ou distorceu o sentido da Conferência, mas mesmo assim ela será afetada pelas propostas aprovadas. Conheça algumas das últimas resoluções aprovadas:
  1. Dublagem deve ser feita no Brasil;
  2. Conteúdo produzido por jornalistas e radialistas não podem ser vendidos pelas empresas. sem consentimento expresso;
  3. Implementar o governo eletrônico nos municípios;
  4. Concessões de rádio e TV terão que ter contrato com cláusulas claras sobre exigências;
  5. Técnicas e de conteúdo;
  6. Escolas têm de ter laboratório de rádio e TV atualizado;
  7. Fomento a veículos comunitários e populares;
  8. Garantia de espaço gratuito no rádio e na TV para pronunciamentos oficiais de interesse público;
  9. Produção financiada com recursos públicos deve usar licenças e formatos livres;
  10. Política de comunicação sobre saúde do trabalhador;
  11. Garantir banda larga com qualidade e velocidade, que garantam acessibilidade;
  12. Revisão dos mecanismos de cálculo das tarifas de serviços de telecomunicações;
  13. Banda larga é um direito fundamental e deve ser ofertada gratuitamente sempre que necessário;
  14. Surpreendente: aprovada a proposta de que a internet em banda larga seja prestada em regime público;
  15. Por 370 votos favoráveis e 343 contrários, foi aprovada a proposta de mecanismos de fiscalização;
  16. Incentivo a produção de programas para jovens sobre direitos das mulheres;
  17. Criar lei que garanta conteúdos nacionais e regionais, com produção independente, conforme a Constituição;
  18. Veiculação de conteúdo latino-americano na língua original;
  19. Sistema público de distribuição física de conteúdos produzidos pelas redes de comunicação e cultura;
  20. Uma empresa só pode controlar até 25% das grades de programação nas plataformas fechadas (TV paga, VoD, celular..);
  21. Políticas para a criação de núcleos comunitários de comunicação;
  22. Incentivo à educação profissional para produção de conteúdo, privilegiando o uso de software livre;
  23. Órgão estaduais responsáveis pelo sistema público de comunicação;
  24. 68% aprovam a regulamentação do trabalho autônomo no setor das comunicações;
  25. Aprovada, por consenso a regulamentação do artigo 221 da Constituição Federal, sem números específicos. O único número previsto na proposta:50% dos canais dos pacotes deTV paga devem ser nacionais e metade da programação, independente;
  26. Código de Ética do Jornalismo é resolução da Confecom;
  27. Plenária aprova a criação do Fundo de Comunicação Pública formado por Fistel, taxa sobre publicidade e uso do espectro, doações;
  28. Instituir plano de outorgas para TV paga que leve o serviço para todas as cidades;
  29. Inclusão da cláusula de consciência do jornalista numa futura Lei de Imprensa aprovada por 57% da plenária;
  30. Que os Correios tenham política para distribuição de periódicos quebra o monopólio da Abril;
  31. Unificação da legislação de TV paga, preservando rede única e canais legislativos, comunitário e universitários;
  32. A constituição de regras para a formação de redes, estabelecendo limites para a afiliação;
  33. Fim da criminalização das rádios comunitárias, anistia aos processados e reparação às emissoras;
  34. Estimular redes de rádios públicas, estatais e comunitárias;
  35. Legislação de radcom deve considerar especificidades geográficas, sociais e de densidade populacional;
  36. Proibição da sublocação e que o Executivo provoque o Judiciário para cassar concessões de emissoras que burlem a lei;
  37. Estabelecidos critérios para a concessão e renovação de outorgas de rádio e TV. Critérios aprovados são inspirados na pauta da Campanha Por democracia e Transparência nas Concessões de Rádio e TV;
  38. Regulamentar proibição constitucional ao monopólio e oligopólio, proibindo propriedade vertical, horizontal e cruzada;
  39. Regulamentar o Art.223 da Constituição Federal foi aprovada por consenso;
  40. Nenhum candidato pode exercer função de comunicador durante seu mandato e a partir de 6 meses antes da eleição;
  41. Redução do capital estrangeiro aprovada com 52% dos votos dos delegados presentes ao plenário. A proposta foi de reduzir de 30% para 10% a participação de capital estrangeiro nos veículos de comunicação;
  42. Fundo de apoio às rádios comunitárias;
  43. Proibição da publicidade dirigida a menores de 12 anos;
  44. Criação do Conselho Nacional de Comunicação, instância deliberativa e de monitoramento das políticas do setor;
  45. Reconhecimento do direito humano à comunicação como direito fundamental na Constituição Federal.
O tempo foi pequeno e as discussões grandes, por isso algumas propostas não foram votadas, mas ficou decidido pela plenária que seriam marcadas como não avaliadas e encaminhadas juntamente com as aprovadas para o governo. Após esta decisão partiu-se para a leitura das moções, votação e estas foram as aprovadas:
  • Defesa do diploma de jornalista;
  • Repúdio a criminalização das mulheres que fazem o aborto;
  • Repúdio aos empresários que abandonaram a Confecom;
  • Contra a utilização dos veículos de comunicação pelo Senador Gilvam Borges (PMDB-PA);
  • Contra os veículos que censuram o debate sobre o PL que combate a homofobia;
  • Contra a censura a jornalistas e blogs que criticam o Senador José Sarney (PMDB-PA);
  • Solidariedade ao povo palestino.
Marcelo Bechara, do Mini Com, no encerramento disse que a Confecom era a conferência do impossível e a resumiu em duas palavras: coragem e tolerância. As propostas aprovadas durante a conferência serão encaminhadas ao governo que irá analisá-las e depois preparar um documento final definindo medidas de normalização para a comunicação envolvendo rádio, televisão, veículos impressos e digitais e posteriormente encaminhará ao Congresso. A idéia principal da Confecom é, com apoio dos vários segmentos da sociedade civil, elaborar políticas públicas de comunicação e avançar na democracia mídia.

Os militantes unidos e organizados tiveram força para mudar o panorama das comunicações no Brasil, isto só vem ratificar que mesmo quando a luta é contra os grandes poderes estabelecidos o povo unido e organizado tem grandes possibilidades de vitória. Mas como se diz, o processo não pára aqui, a luta continua.
 
 

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